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Os batimentos cardíacos fetais são primeiramente observados entre o 28º e 30º dia de gestação. 2, 7, 14 A detecção dos batimentos cardíacos fetais pode, em alguns casos ser observada entre o 23º e 25º dia após o pico de LH (19-25 dias após a primeira cópula), no mesmo dia ou um dia após a detecção do próprio embrião. 31, 33 O coração fetal é observado como um foco pequeno anecóico que tremula ecos rapidamente dentro do embrião e está cercado pelos pulmões que possuem aspecto isoecóico. 18 Isto acontece antes das características anatômicas totais serem reconhecíveis. É observado movimento fetal a partir do 33º, 35º dia. 31 Tanto a atividade cardíaca quanto o movimento fetal são achados que confirmam a viabilidade fetal.

No momento da sua primeira detecção, a batida cardíaca varia entre 120 e 140 batimentos/minuto, 1 depois aumenta ficando em uma média, situada em aproximadamente 230 batimentos/minuto. Próximo ao parto (últimos 4 dias gestacionais) sofre uma redução que se torna significativa no dia do parto. Entretanto, batimentos abaixo de 140/minuto são registrados apenas nos casos de sofrimento fetal. 23

A partir do 30º dia, a organogênese começa a ser identificada ultra-sonograficamente. 24 Visualiza-se a cabeça e o corpo a partir do dia 28. Na parte interna do crânio visualiza-se um foco inicialmente anecóico (plexo coróide) que gradativamente torna-se ecogênico, cercado pelo ventrículo cerebral anecóico. A medida que o feto aumenta, o esqueleto pode ser identificado como estruturas hiperecóicas formando sombras acústicas.18

O fêmur é reconhecidos a partir do 35º dia. 24,31 O esqueleto fetal pode ser identificado a partir do 33º , 39º dia e é visto como estruturas hiperecóicas formadoras de sombra acústica 14,.24. A cabeça é visualizada primeiro, seguido pela mineralização rápida da espinha torácica e costelas, espinha cervical e esqueleto apendicular. A vesícula urinária e estômago são os primeiros órgãos abdominais a serem identificados sonograficamente a partir do 35º - 39º dia e aparecem como um foco circunscrito de área anecóica 31. O estômago e a vesícula urinária enchem e esvaziam durante um período de tempo, podendo ser observados vários graus de distensão que podem mudar durante o curso do exame 21.

A ecogenicidade do pulmão pode variar durante desenvolvimento sendo relativamente isoecóica a do fígado quando vistos inicialmente, o que não proporciona uma definição clara entre eles. A orientação é feita pelo posicionamento do coração, estômago e vesícula urinária. Os pulmões se tornam hiperecóicos em relação ao fígado quando o feto se desenvolve do 38º ao 42º dia. Os rins e os olhos são visualizados entre o 39º e o 47º dia. Os rins são hipoecóicos com pelve proeminente e anecóica. Com o tempo, podem ser diferenciadas a córtex e a medular renal e a pelve se torna menos dilatada 31.

O coração tem ecogenicidade variando de hipoecóico à anecóico, com ecos dos septos lineares que representam as paredes da câmara e válvulas do coração. As quatro câmaras do coração são vistas a partir do 40º dia e os grandes vasos cardíacos podem ser visualizados alguns dias após. A partir do 57º ao 63º dia ocorre a diferenciação das alças intestinais e o peristaltismo se torna visível 31.

Número de fetos
A contagem fetal tem sido mencionada como sendo de pouca acuidade e conduzindo a um acréscimo significativo do tempo de exame 5, 20. A estimação do número de fetos pode ser realizada entre o 27º e o 37º dia após o pico de LH, quando esta é mais precisa 2,4,18,30. Antes deste tempo, o tamanho da ninhada pode ser subestimado, porque a membrana gestacional é pequena e algumas podem estar indeterminadas. Depois desta data, a contagem dos fetos é menos precisa, porque com progresso da gestação os fetos ficam confluentes estando rodeados pelo fluído fetal e o comprimento fetal normalmente fica maior que a largura da imagem sonográfica o que torna muito difícil de distinguir os cornos uterinos, além de sua dilatação, sendo assim, o mesmo feto pode ser contado mais de uma vez 30. A precisão da contagem tende a diminuir com o aumento da dimensão da ninhada. Em ninhadas grandes há normalmente uma subestimativa, por possibilidade de existir um feto oculto por alças intestinais ou pelos arcos costais. A sobreestimativa fetal pode resultar da contagem de um feto duas vezes ou por reabsorção embrionária 26.

A maioria dos autores sugere que o número fetal não pode ser julgado com precisão utilizando a avaliação ultra-sonográfica 4, 7, 11, 25, 27 . A determinação absoluta e precisa do número fetal incerta, especialmente no início e final da gestação. O problema está no fato que somente pequenas porções da área reprodutiva podem ser visualizadas, podendo ser contados fetos mais de uma vez ou não 21.

Apesar de não poder obter o número exato de fetos, na prática é possível ter uma estimativa . Em um estudo realizado em 66 cadelas, a contagem exata do número de fetos foi possível em apenas 31,8% das ninhadas 13. Em outro, para as ninhadas com 0 - 3 crias a contagem precisa foi de 100%, enquanto que em ninhadas com 4 - 8 fetos foi possível uma acuidade de 75,3% 4. A dimensão limite da ninhada para uma contagem fetal rigorosa é referida como sendo 4 ou 5 fetos 1,25.

Uma a duas semanas antes do parto a redução do líquido amniótico e a progressiva calcificação óssea do feto, especialmente do crânio, da coluna vertebral e das costelas, produzem ecos de intensa reflexão com produção de sombra acústica, que compromete a visualização. Nesse estágio, e especialmente nas ninhadas maiores, fica praticamente impossível efetuar a contagem do número dos fetos, pois pode ocorrer a não visualização do feto, a dupla contagem, a superposição, a presença de sombra acústica 23.

Medidas fetais e idade gestacional
A determinação da idade do feto é sempre uma questão freqüente durante o exame ultra-sonográfico. Em veterinária, a utilização da biometria fetal é ainda efetuada de maneira restrita, considerando-se que não existem tabelas adequadas às diferentes raças caninas 23.

Devido à variabilidade entre as raças, a determinação da idade gestacional aproximada pode ser realizada com base na identificação das diferentes estruturas fetais 7,13 que tem como aplicação prática a previsão da data do parto.

Embora a organogênese siga um padrão comum nas diferentes raças caninas, existem consideráveis diferenças nas dimensões fetais no termo da gestação. A estimativa baseada na idade gestacional provavelmente é menos precisa para em cadelas de raças miniaturas e gigante que contêm um ou dois fetos durante a gestação, sendo que provavelmente, seja mais precisa durante o segundo trimestre 10. O segundo trimestre também é o momento que as mudanças mais óbvias em anatomia fetal acontecem 30.

A mensuração ultra-sonográfica e a escolha do parâmetro depende do estado da gestação, pois o crescimento fetal não se processa uniformemente para todos os parâmetros 3,4,7,25,31. No entanto, a determinação do diâmetro de algumas estruturas são usualmente utilizadas e oferecem uma idéia bastante aproximada da idade gestacional como é o caso da vesícula embrionária, que pode ser visualizada precocemente aos 18 - 20 dias pós-ovulação; o diâmetro biparietal longitudinal do crânio entre o 36º e o 58º dia pós-ovulação; ou ainda o diâmetro transversal do tronco ao nível do estômago entre 22º e 58º dia pós-ovulação 23.

Anormalidades na gestação
Com o uso da ultra-sonografia pode-se descobrir uma variedade de condições que podem acontecer durante uma gestação anormal, como a reabsorção fetal, aborto, desenvolvimento embrionário atrasado, morte fetal antes ou durante o parto, sofrimento fetal, e uma variedade de outras condições 12.
Uma redução dos batimentos cardíacos fetais para menos de duas vezes que o materno e redução do movimento fetal são indicativos de sofrimento fetal 1, 23. Quando a taxa de coração fetal aumenta em resposta à tensão é um sinal positivo, indicando vigor fetal 31.

O reconhecimento de morte fetal próximo ao parto é de extrema importância, sendo caracterizada por perda de atividade cardíaca. Deve-se, também, ser analisado a motilidade fetal, deglutição e movimentos dos membro. O reconhecimento estruturas ultra-sonográfico das fetais diminui rapidamente depois da morte. Depois de um dia ou dois, apenas as estruturas esqueléticas mineralizadas podem ser reconhecidas por hiperecogenicidade característica e sombra acústica 21. Também é encontrado gás no interior do útero ou no feto seis horas após o óbito 23.

Se a morte embrionária ocorrer antes de 25 dias após a ovulação, resulta em maceração e reabsorção completa do embrião 8, 18. A reabsorção é reconhecida pela redução em tamanho do embrião, mudança em fluído embrionário de anecóico para hipoecóico com presença de partículas ecogênicas em suspensão e a cessação de batimentos cardíacos. A membrana gestacional se desprende, e a parede uterina adjacente pode estar relativamente hipoecóica. Estas mudanças acontecem rapidamente, dentro de horas e aumentam com o passar dos dias 12, 18.

A morte fetal após 35 dias de gestação resulta, geralmente, em aborto, mas nem sempre afetando toda a ninhada. Fetos mortos perdem a visualização sonográfica normal rapidamente e são expelidos em poucos dias 12.

A morte fetal é mais comum durante a primeira metade da gestação e nesta fase, é comum observar um ou dois locais de reabsorção fetal. Estudos ultra-sonográficos sugerem que a incidência de reabsorção fetal espontânea varie de 5% a 13% em gestações caninas antes do 40º dia de gestação 30.

 

 

 



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